Rotinas da rotina
Somos reféns das nossas rotinas, habituamo-nos a elas sem protestar. Somos controlados, amestrados todos os dias, desde sempre.
Alterarmos as rotinas, qualquer que seja o motivo, deixa-nos impacientes, irrequietos e desconfortáveis.
Há uns dias que saí da rotina, apaguei os compromissos da agenda (e parecia tudo inadiável), deixei, pela primeira vez, desde há uns meses, a agenda em branco.
Habituamo-nos a ver as mesmas pessoas todos os dias, não sabemos como se chamam nem tão pouco onde moram ou trabalham e, mesmo que não o consideremos, fazem parte da nossa vida e esboçamos sorrisos sempre nos cruzamos.
Gosto de viver nesta aldeia do interior porque sei que apesar de estar preso a uma rotina, existe sempre um refúgio para fugir dos compromissos e, por vezes, fugir de nós.
Agora, da varanda vejo os pássaros e as ovelhas, as árvores a florir neste início de primavera e não há aqui azáfama, horários a cumprir ou pessoas com quem me cruzar. E não sabia que custava tanto que não houvesse tudo isto.
Preciso de movimento e, mesmo sabendo que "vem outro dia e tudo se repete e vais deixando ficar tudo igual" como ecoa na minha cabeça pela voz de Variações, a verdade é que "amanhã tudo se há de arranjar".
Até lá, arranja-se uma nova forma de viver e de encarar a realidade.
