Quem vamos culpar agora?

19-04-2021

Os casos de Covid-19 em Arouca seguiram a tendência nacional e, na data em que escrevo este artigo, não existe nenhum caso ativo no concelho.

Mas vamos voltar um bocadinho atrás.

Em setembro, quando em Alvarenga surgiu um surto pandémico, os poetas do infortúnio e da desgraça, insurgiram-se contra aquela que é, em título, a Melhor Atração Turística de Aventura do Mundo. Falo, para quem ainda não tenha conhecimento, dos Passadiços do Paiva.

Como é sabido, esta infraestrutura que vence prémios nacionais e internacionais, desde o ano em que inaugurou, é fonte de transmissão de diversos vírus e bactérias, que se deslocam nas sapatilhas dos pedestrianistas e se propagam pelo país e pelo mundo.

A teoria de que a COVID-19 é uma pandemia que teve início algures no continente asiático e se disseminou pelo mundo de forma galopante caiu por terra quando os epidemiologistas de teclado arouquenses, explicaram que a culpa era afinal, dos Passadiços do Paiva.

Quem diria que, depois de conquistarem o mundo, estas tábuas de madeira de pinho tratado o fossem destruir de forma tão vil e severa.

Pois bem, agora a pandemia parece ter abrandado (embora tenhamos que continuar alerta e sem baixar a guarda) e, depois de mais de dois meses em que estiveram encerrados (em virtude da pandemia que provocaram), os Passadiços reabriram ao público, no passado dia 5 de abril, sob o olhar atento dos especialistas em cenas e coisas várias.

Nas redes sociais, esse espaço de verdades absolutas, os epidemiologistas de bancada dividiram-se. De um lado, estão aqueles que concordam com a sua reabertura, pois reconhecem-lhes qualidades, quer na retoma da economia, quer como espaço para relaxar, "apanhar ar" e recarregar energias. De outro lado, estão aqueles que afirmam, e passo a transcrever, "tão cedo não deveriam abrir e mais não digo". Este cibernauta, (provavelmente pertencente ao grupo dos "fechados em casa pela verdade"), parece guardar um dos segredos de Fátima ao não dizer nada mais além do nada que disse.

Se eu fosse Presidente da Câmara, dava a oportunidade a cada arouquense de tomar uma decisão. Parece uma solução fácil e viável. Ora abrem, ora fecham e andamos nesta dicotomia até que se perceba que ter liberdade de opinião não é o mesmo que achar que uma opinião é uma verdade absoluta nem que se é dono da razão.

Os Passadiços do Paiva estão e sempre estiveram inocentes. Não se pode culpar uma infraestrutura por tudo o que acontece de mal numa região, principalmente quando a única responsabilidade que têm é a de atrair turismo, trazer reconhecimento e dar à população (de Arouca e de além-fronteiras) a oportunidade de conhecer de perto a fauna e a flora que envolve a zona e era, até então desconhecida. Para quem não sabe, os Passadiços do Paiva não recebem só "turistas de garrafão", recebem especialistas de diversas áreas e estudantes que encontram ali um verdadeiro laboratório ao ar livre, sobre o qual estudar e trabalhar.

Há, definitivamente, uma Arouca antes e depois dos Passadiços do Paiva, bem como existe um antes e um depois da integração de Arouca nas Redes Europeia e Mundial de Geoparques, que este mês celebra 12 anos. E o depois é, garantidamente, muito melhor.

Arouca cresceu, desenvolveu-se, tornou-se atrativa e dinâmica. Uma coisa é ser-se resistente à mudança, outra é não ter a capacidade de ver mais além.

Notas de viagem não menos importantes:

1. "Na minha linda terra" é o nome do Podcast do arouquense Tiago Sabulicula. Todas as terças-feiras, este jovem passa em revista, de forma satírica, os principais acontecimentos de Arouca, na semana anterior. A ouvir no Spotify.

2. Há algumas semanas que em Arouca se perfilam candidatos. Uns mais tímidos, que vão trabalhando nos seus programas políticos para apresentar à comunidade, outros mais expansivos, que enchem as páginas de jornais e blogues com artigos cheios de propostas vazias.

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