Chamem-me louco
Chamem-me louco como diziam ser Sebastião. Sim, "o desejado" para uns, "o cobarde" para outros. Se preferirem, chamem-me utopista pela capacidade de sonhar com um mundo que parece irreal.
Os dias andam demasiado nublados, o país vive confuso e é de "liberdade" que parece estarmos sedentos. Estão reunidas, nestes dias, as condições para o regresso de D.Sebastião.
Há quem acredite que seja ele -ou o seu desaparecimento -a razão pela decadência da pátria, prefigurada na sua morte, no deserto de Alcácer-Quibir e, ao mesmo tempo, o seu reaparecimento -ou de um corpo nunca encontrado - a esperança do renascimento da pátria em glória, com a ajuda do desejado.
Não coloquemos as culpas em Sebastião que subiu ao trono com três anos, tendo sido precipitada toda a sua vida e claro, a sua morte. Não culpemos Sebastião por não ter conseguido resistir.
A culpa não é de quem foi, a culpa é de quem ficou. Quem ficou conformado, quem esperou que alguém fizesse aquilo que qualquer um poderia fazer.
Não se consegue nada sem sair do conforto da nossa casa, é certo. Em vez do comodismo, trabalhemos com a audácia e resiliência com que tantos ilustres (e menos ilustres) o fizeram. Saibamos ter na voz "A mensagem" de Fernando, pessoa como nós.
No fim sejamos nós a aparecer numa manhã de nevoeiro, montados num cavalo branco.
